Colunas! (Black Eyed Peas virou “É o Tchan” do mercado Internacional)


Zapeando pelos canais de televisão, me peguei assistindo uma seqüência de vídeos musicais,desses cheios de garotas em trajes mínimos, rebolando e se insinuando em frente à tela da TV, qual a primeira coisa que lhe veio à mente?
Pensou funk, axé? Errou... Mais uma chance: elas estavam rodeadas de caras com poses de mal. Não demoraria nem 3 segundos para perceber que se tratava de uma das músicas do The Black Eyed Peas: “My Humps”.

Numa definição até bem rápida pode-se classificar tal grupo como hip-hop e vertentes. Mas dessa vez resolvi contestar, e definitivamente achei que não é. Pra mim, The Black Eyed Peas virou o “É o Tchan do mercado Internacional" e já parece axé.

Sem pegar pesado e nem questionar o mérito de uma boa leva de produções musicais que já consagrou o grupo, como as faixas “Where´s The Love”, que alimentava consciência, valores, cidadania e amor, e até a nova roupagem para o samba-rock “Mas Que Nada”, co-produzida por Sérgio Mendes, regravação de Jorge Ben de 1977, (que eu amo) enfim..., “My Humps” não se pode elogiar!

Ok, posso admitir que o ritmo quebrado é bem legal, mas cansa e basta o mínimo de conhecimento em inglês para notar que em um dos trechos da “canção” há uma semelhança bem mais visível com funk ou axé feitos aqui, além, claro, da presença daquele bando de popozudas dançarinas. Há um refrão bem apelativo que diz: “O que você vai fazer com toda essa bunda aí dentro dessa calça jeans?
Vou te fazer gritar!”. Cá entre nós onde está a diferença? Você vê alguma?

Mas as semelhanças entre o “black-pop-hip-hop” exportado da gringolândia e o nosso velho conhecido “axé: a música pra pular brasileira” não param por aí. Quantos grupos gringos você tem visto por aí fazendo música machista, cultivando a exploração explícita do corpo da mulher em apologia ao rentável mercado sexista? Não entendeu? Então certamente a música Candy Shop de 50Cent vai te lembrar alguma coisa. Depois desta já deve ter passado pela sua cabeça uma dezena de outras assim.

E a velha cartilha dos Beto Jamaicas da vida e seus seguidores se faz cumprir, agora com o alcance mundial, ao contrário do axé e funk, conhecidos no máximo por turistas que passam suas férias no Rio ou em Salvador ou seus apreciadores locais. A diferença está é que
“A Dança da Bundinha” tipo exportação está sendo consumida vorazmente no mundo todo como novidade fresquinha por um público que sequer tem consciência do tipo de coisa que estão ouvindo, principalmente por aqui.

Portanto, não é preciso ir muito longe pra sacar que toda aquela produção utilizada pelos gringos camufla aquilo que no fundo, no fundo é tudo a mesma coisa. E o mais interessante nisso tudo é notar que muita gente que diz gostar desse tipo de som, acaba torcendo o nariz
para o axé e o funk brasileiro, alegando vulgaridade. Puro preconceito, pra não dizer ignorância.
Sem zoar, dá vontade de ligar o rádio e procurar por uma inocente música do nosso querido dj Marlboro.


Max Lopes é colunista da Catapulta Records, e há tempos observa a música eletrônica, e suas tendências.
Fale com o Max: max@catapultarecords.com.br